Subo ao quarto com a sensação de frio no corpo e de arrepio na pele… a temperatura agradável do quarto começa a reconfortar-me.
Tenho quase uma hora até ao jantar, meto-me debaixo de um duche bem quente, deixo-me ficar a saborear cada gota que me escorre pelo corpo aquecendo-o… preciso de tirar o arrepio daqueles olhos da minha pele…
Quando, por fim, saio já tenho 3 mensagens no telemóvel, vou respondendo:
Desço dentro de 10 minutos, podem ir andando para o restaurante.
Mais um jantar sem ti… fazes-me falta…
Visto uma roupa mais confortável, pego num agasalho e desço.
Jantamos e vamos planeando o dia seguinte, o telemóvel vai vibrando com uma mensagem ou outra e vou respondendo, sempre com a sensação de estar a ser observada… até que o vejo sentado ao balcão no bar…
Os olhos negros estão de novo postos em mim – respondo à mensagem
Provoca-o! - responde-me
Tonto! Sabes que não o faria…
- Preciso de fumar um cigarro, desculpem.
Só consigo vislumbrar-lhe o vulto à contra-luz, mas a voz ligeiramente rouca é inconfundível…
- Claro que sim, mas agora estou agasalhada… o risinho nervoso e incontido solta-se de novo.
- Já reparei que não precisa dos meus préstimos, mas tinha esperança que da companhia…
Sinto-lhe o tom trocista, espero que não tenha percebido que me fez corar de novo. Senta-se ao meu lado, próximo, demasiado próximo até… consigo sentir o calor da sua perna através da roupa, o cheiro da barba acabada de fazer, o perfume amadeirado, o brilho no olhar…
Mais uma vez, descaradamente, aquele olhar me observa, me perscruta agora o rosto… como se me quisesse ler o que me vai na alma… mais uma vez não consigo evitar o arrepio…




















