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13 de março de 2008

Vontade




foto de Marc Magnusson



Ainda te tenho dentro de mim, ainda estou em teus braços,

mas se na altura me levaste a alturas desconhecidas

agora estou leve, sem peso e encontro-me no mar a vogar,

embalada ao sabor das ondas que carinhosamente me transportam

não sei para onde, nem com isso estou preocupada.

A atenção acutilante, a energia redobrada, num instante

executo todas as tarefas para contigo me voltar a encontrar

no paraíso, no mar, em qualquer lugar

em terra, na estação, onde me queiras esperar

Para contigo ir ter faço o que for preciso,

sou fantasma, sou herói, sou banda desenhada

sou rio, sou barco, sou ave

basta fechar os olhos e sou cometa, raio de luz

consigo transpor paredes portas e janelas,

desde que possa em teus braços me aninhar

para contigo dormir, para contigo poder sonhar.

Encontro-te nos meus sonhos, em qualquer lugar

no paraíso, no mar, onde me queiras esperar

9 de fevereiro de 2008

Quero-te...





Os sons de Scherazade de Nijinsky enchem a sala,
lá fora apenas se ouve a chuva que pinga dos beirais...

Acendo languidamente um cigarro,
apetece-me o calor e o fumo à minha volta...
encosto a cabeça semicerrando os olhos,
sinto-te entrar ao som desta música...
sinto-te aproximar de mansinho...
os teus lábios no meu pescoço, na orelha...
essa língua molhando-me o ouvido...
os teus braços que me envolvem,
as tuas mãos no meu peito...

Não quero abrir os olhos, apenas sentir-te...
o teu corpo encostado ao meu, o teu calor...
viras-me, sinto os teus lábios nas minhas mamas,
beijando-as, lambendo-as,
deixando-as ainda mais erectas e duras,
molhadas da tua saliva...
brincas com elas, ora com a boca, ora com as mãos,
de olhos fixos nelas...

Os meus dedos percorrem-te os cabelos,
despenteando-os, apertando-te a nuca...
ficas ainda mais lindo assim despenteado nas minhas mãos,
perdes o ar composto e ficas uma tesão...

A tua boca vai descendo e as tuas mãos vão contornando a minha silhueta,
sinto-as agarrando-me o rabo e a tua língua no meu umbigo e descendo, descendo...
Pavarotti canta agora Nessum Dorma...
não, não vou dormir, quero sentir-te, não dormir...

Quero...

31 de janeiro de 2008

Sonhei?





Ao meu lado apareceste retirando o lençol que me tapava,

nua me viste e esperei. Aninhaste-te no meu colo

e em noite de lua nova, o escuro dominava.

A luz não interessava, porque sei a tua geografia de cor,

o espaço que ocupas no meu corpo,

por cima, por trás e de lado.

Percorri o teu mapa, beijando, lambendo, chupando

e quando finalmente fui inundada acordei.

Esta noite contigo sonhei?

Mas o peso do teu corpo, que em mim ainda estava,

o que entre as coxas ainda sentia,

o mel que por mim escorria…

Virei-me de lado, e ainda ali estavas.

Viraste-me o corpo e devagar, devagarinho

por ali entraste, primeiro as mãos,

depois, violentamente, o corpo todo.

10 de janeiro de 2008

Dispo-me...



Dispo-me...
hoje dispo-me de roupas e da vida...
dispo-me de tudo o que me tolhe os movimentos e a cabeça...
dispo-me, completa e simplesmente...
Dispo tudo o que me pesa...
largo-o no chão, e passo-lhe por cima...
Abro-te os braços e entrego-me assim...
sem nada que me cubra, ou encubra...
corpo nú e puro...
corpo que te quer e te deseja...
corpo que anseia sentir-te...
corpo que te dá prazer e quer o teu...
Apenas corpo...
Quero-te assim...
tão despido quanto eu...
apenas corpo...
apenas...
tu...
Deixa-me tocar-te a alma nua...

31 de dezembro de 2007

Inconfessável





Inconfessável é a dor dos fins-de-semana

Inconfessável é a tristeza de ti estar longe

Inconfessável é assumir as lágrimas roladas

Inconfessável é querer-te desta maneira

E saber que é sem esperança

Inconfessável é o ciúme que espreita

À mais pequena rajada de vento

Inconfessável é a saudade que magoa

Que rasga a carne, que estoura o coração,

Que me não deixa em mais nada pensar

Inconfessável são as lágrimas derramadas

Quando outro me toca

17 de dezembro de 2007

A Saia




Eider Astrain




Quis-me oferecer, a ti meu Amor, a ti,

que me tens dado a eternidade a cada passo,

a cada momento que contigo estou,

no profundo prazer da carne,

compondo ramalhetes de infinita ternura,

de infinitos momentos estrelados,

só possíveis pelo amor que por ti sinto.

Cheguei junto a ti, com a mais bela saia,

por onde poderias explorar-me,

com a mais sexy camisola que descaindo

o peito te oferecia.

Pela primeira vez vesti-me só pensando

no prazer que terias quando me tocasses.

Pela primeira vez vesti-me só para ti.

Tive a alegria de te ver estremecer,

de te ver impaciente, obcecado,

quando pondo a mão por baixo da saia

percebeste que nua estava.

Mais uma vez a entrega foi total,

mais uma vez foi em plenitude

e o amor fez-nos pairar pelo Universo

12 de dezembro de 2007

Almoço






Tínhamos combinado almoçar juntos nesse dia,

mas estávamos desejosos um do outro.

Fomos passear primeiro, para podermos as saudades matar.

Beijo que começou simplesmente, para continuar penetrante.

Mãos que iam e vinham palmilhando os corpos.

Durante o almoço, o desejo subiu,

quando por baixo da mesa o meu pé

te começou a afagar.Tentávamos falar como se nada fosse,

mas sempre que sentias o meu pé tocar-te, suspendias a respiração

e quase gemendo dizias do prazer, da conversa a meada perdida.

O vinho branco gelado, não ajudava

ao arrefecimento do nosso desejo.

Acabada a refeição, sem conseguirmos resistir, levaste-me a casa.

No elevador, desabotoaste-me a blusa,

e enquanto eu beijando te tirava a camisa,

a tua perna metia-se entre as minhas.

Entraste em casa comigo ao colo

e deitaste-me em cima da mesa.

Não te importaste com as botas pretas nem com as meias,

remexendo-me deixaste cair as calças,

que te tinha desabotoado e puxando

as cuequinhas para o lado, entraste por mim a dentro.

1 de dezembro de 2007

A secretária




Elena Vitaly Vasilieva



Estava encostada à fotocopiadora, quando senti uma mão

na minha anca. Senti-lhe a respiração quente junto

ao pescoço, o arrepio imenso foi sentido pelo seu corpo

que ao meu estava encostado.

- Amanhã traz saia, e vem sem collants, disse

divertido e com voz rouca de desejo, enquanto

a sua mão subia até ao meu peito.

No dia seguinte lá estava ele quando entrei, reparando

na minha mini-saia, fez um sorriso rasgado.

Passado um pouco chamou-me ao seu gabinete,

mandando-me olhar para o que estava no écran do seu portátil.

Enquanto falava de trabalho a sua mão subiu devagar

pelas minhas pernas, parando no exacto sítio onde as

meias acabavam, remexendo-me entre as coxas,

subindo repentinamente, até me sentir escorrer.

Encostou-me à parede, abriu-me a blusa, retirando

com cuidado o peito para fora do soutien, lambeu,

beijou, chupou, sugou-o.

E entrou em mim.

Eu gemendo de tanto prazer, só pedia mais,

que não parasse nunca.

27 de novembro de 2007

ESTADO DE PAIXÃO






Naquele dia, quando a ti me encostei

olhando a beleza que diante dos nossos olhos se espraiava,

quando senti as tuas mãos entreabrirem a minha blusa

e fazerem festas no meu ventre,

respiração sustida tal o prazer que subia em ondas,

arrepiando-me até à nuca,

ali mesmo, amor,

enquanto esperava que as tuas mãos descessem mais,

ali mesmo, as ondas de prazer

rebentaram os meus diques

e desfiz-me em ti.