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13 de abril de 2008

SEM TI









Depois do esforço, os músculos doridos, o corpo suado, tentando enganar a

falta que me fazes, o banho soube-me bem, a água a escorrer-me pelo corpo

tirando-me parte das dores e do suor o salgado.

Os cigarros estavam ali mesmo ao lado parecendo chamar por mim, esse

vício que adoro e sem resistir, foi o tempo de começar a me enxugar, as

mãos secar e dar a primeira passa do dia, puxada intensamente com prazer

de a quem a nicotina faz falta.

Como me sabe bem o primeiro cigarro do dia, por me pôr a cabeça leve, por

me recolocar no corpo.

Fiquei a olhar as pérolas de água que ainda no meu corpo restavam, que

sempre me fascinam por não escorrerem, como fosse natural ali ficarem

a relembrar tempos e fiquei, repentinamente, a sentir os teus gestos,

quando com cuidado o corpo me secavas depois de nos termos perdido pelo

espaço e de nos braços um do outro, nos termos reencontrado.

Embrulhavas-me primeiro na toalha, traçava-la em frente ao peito, e

abraçavas-me como o mundo fosse acabar de ali a instantes, apertando-me

entre os teus braços de onde nunca quis sair.

No fundo, era ali que nos despedíamos, mas devagarinho ias-me secando.

As costas primeiro, porque o pescoço já o tinhas secado com a tua boca,

sentindo o quanto me arrepiavas e logo depois o rabo, e eu perdida de riso,

porque sempre achava graça, à geografia que do meu corpo tinhas.

Logo de seguida agarravas-me um braço, um ou outro tanto te fazia, era o

que mais jeito nesse momento te dava, pois só servia para mo levantares e

teres mais facilidade de ao meu peito chegares.

Mas quando o sentias, vibrante, sentia em ti também a excitação, para logo

pores a tua outra mão por cima da toalha, no meu ventre e continuavas

centímetro a centímetro a limpar-me, esquecendo quase de as mãos mexer,

sentindo, eu a ti encostada, o prazer que me davas.

Não resistindo deixavas então cair a toalha aos meus pés e de joelhos

começavas a secar-me as pernas, eu gemendo, enquanto continuavas, as

coxas abrindo para tu me poderes toda secar.

O momento divino tão esperado, quando beijando me secavas como ao

pescoço tinhas feito.

Quantas vezes, ali chegados, não recomeçámos….

Só a mim voltei, quando me lembrei de dar mais uma passa, e percebi que o

cigarro se tinha apagado e a cinza no chão tinha caído

29 de janeiro de 2008

Banho II



Carol Carter


A espuma espalhou-se pelos nossos corpos

que se encontraram debaixo de água.

Da água fizemos cama, deitando-me em cima de ti.

Mãos escorregadias, que todo o corpo me exploraram,

com cuidado, conscientemente intensas,

pelo meu peito, pelo ventre, passearam

entrando por mim, repentinamente.

Cavalguei-te com fúria pelo que me pareceu uma noite inteira.

Extenuada, mas sempre desejosa, recomeçámos,

pernas enroladas, divinamente inter-ligados

pela milésima vez , nessa noite inteira

reencontrámo-nos em pleno universo