
Depois do esforço, os músculos doridos, o corpo suado, tentando enganar a
falta que me fazes, o banho soube-me bem, a água a escorrer-me pelo corpo
tirando-me parte das dores e do suor o salgado.
Os cigarros estavam ali mesmo ao lado parecendo chamar por mim, esse
vício que adoro e sem resistir, foi o tempo de começar a me enxugar, as
mãos secar e dar a primeira passa do dia, puxada intensamente com prazer
de a quem a nicotina faz falta.
Como me sabe bem o primeiro cigarro do dia, por me pôr a cabeça leve, por
me recolocar no corpo.
Fiquei a olhar as pérolas de água que ainda no meu corpo restavam, que
sempre me fascinam por não escorrerem, como fosse natural ali ficarem
a relembrar tempos e fiquei, repentinamente, a sentir os teus gestos,
quando com cuidado o corpo me secavas depois de nos termos perdido pelo
espaço e de nos braços um do outro, nos termos reencontrado.
Embrulhavas-me primeiro na toalha, traçava-la em frente ao peito, e
abraçavas-me como o mundo fosse acabar de ali a instantes, apertando-me
entre os teus braços de onde nunca quis sair.
No fundo, era ali que nos despedíamos, mas devagarinho ias-me secando.
As costas primeiro, porque o pescoço já o tinhas secado com a tua boca,
sentindo o quanto me arrepiavas e logo depois o rabo, e eu perdida de riso,
porque sempre achava graça, à geografia que do meu corpo tinhas.
Logo de seguida agarravas-me um braço, um ou outro tanto te fazia, era o
que mais jeito nesse momento te dava, pois só servia para mo levantares e
teres mais facilidade de ao meu peito chegares.
Mas quando o sentias, vibrante, sentia em ti também a excitação, para logo
pores a tua outra mão por cima da toalha, no meu ventre e continuavas
centímetro a centímetro a limpar-me, esquecendo quase de as mãos mexer,
sentindo, eu a ti encostada, o prazer que me davas.
Não resistindo deixavas então cair a toalha aos meus pés e de joelhos
começavas a secar-me as pernas, eu gemendo, enquanto continuavas, as
coxas abrindo para tu me poderes toda secar.
O momento divino tão esperado, quando beijando me secavas como ao
pescoço tinhas feito.
Quantas vezes, ali chegados, não recomeçámos….
Só a mim voltei, quando me lembrei de dar mais uma passa, e percebi que o
cigarro se tinha apagado e a cinza no chão tinha caído


