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15 de março de 2008

Vontade II





Basta fechar os olhos e sou cometa, sou raio de luz,

consigo transpor paredes portas e janelas

para em teus braços me poder aninhar

Por ti procurei em sonhos, meia acordada,

para contigo dormir onde me estivesses a esperar

no paraíso, no mar, em qualquer lugar

para em ti me poder transformar

Encontrei-te feito água, mar espelhado feito lagoa

meu raio de luz penetrado, absorvido, reflectido,

sem conseguir em ti ficar

Então barco fui, para por ti ser abraçada

em ti voguei até me sentir preparada

Transformei-me em peixe, em mulher, em sereia

por ti fui absorvida, alimentada, agasalhada

de tal maneira te aceitei e amei

que em ti fiquei transformada

Eternamente

25 de fevereiro de 2008

Medo






Foto de Pablo Herrerías



Corri pelo corredor escuro, fugindo sei lá de quê,

mas o susto que em mim estava,

fez-me correr apavorada

Quanto mais avançava, o escuro cerrando-se em mim,

paredes apertando para me sufocar

Soluçando, chamei por ti

não me ouviste, não estavas

mas resposta não obti

Marcada, chorando fiquei, dobrada sobre mim

até sentir uns braços que me rodearam

apertando, chegando-me a si

deixei-me ficar, sem os reconhecer, deixei-me afagar

sem saber por quem, parando o choro sem saber como

Juntos ficámos, juntos abraçados, presos um ao outro

Quando devagar a inquietação voltou

Os gestos, inconscientes, já outros

cheios de desejo continuaram,

beijando-me a dobrada nuca, mãos afagando as coxas,

as costas, o peito, voltaram-me para lhe ver o rosto

De novo assustada, repeli, bati, esmurrei no corpo,

no ar, barafustei, gemi , chorei, o rosto não lhe vi

Chamei por ti, soluçando

soluçando, chamei por ti.

16 de janeiro de 2008

Visita




Estava deitada, lembrando-me ti, quando sem esperar

apareceste sentado ao fundo da cama,

olhando para mim, enquanto me vias afagando-me.

Ansioso, desejoso, nada fazias senão olhar.

Devagar arrastaste-te pela cama, prendeste-me a mão.

Então a tua, mestre, dedilhando-me

faz que gema, abro mais as coxas, chamando por ti.

O prazer, pelo meu corpo ondulando ,

espraiou-se para o teu.

Desfizeste-te em mim e eu em ti,

inundando-me de espuma….acordei.

13 de janeiro de 2008

Dia de Festa



tirado do google


Se hoje fosse dia de festa,

não seria por certo dia

de te falar das minhas nostalgias.

Pôr-me-ia à janela contemplando

o nosso rio, que vaza tão docemente,

como por vezes meu amor é.

Mas quando enche, como a maré,

transbordando para as margens,

inundando tão apaixonadamente

a terra, o mar, o céu e o Sol,

como por vezes meu amor é,

por certo de mim te lembrarias

quando à janela contemplar fosses

e os visses reflectidos

nesse rio que só nosso é.

4 de janeiro de 2008

Cansada, tão cansada



Yuri Bonder


Cansada de o esperar,

esta noite tive-o nos meus braços

foi nos meus braços que o tive.

lembro-me bem como o apertava,

tão cansada de esperar por ele,

de encontro ao meu corpo nu, e o deixava dormir.

como o afagava, enquanto cheio de febre delirava.

Como com amor o tratava e ele se restabelecia

A meio da noite era nos braços dele que dormia.

Quando acordámos, ainda tão cansada e ele me queria.

Como sonhar com ele, mais uma vez

às vezes pode ser aberta a ferida.